Dulce
“Um retrato criativo pra ajudar a emergir a criatividade que quer de mim sair.”
“Que forma de arte cabe em minha vida agora? Pra que atividade criativa quero dar espaço/tempo/energia? De que arte em desenvolvimento eu estou precisando? porque preciso. Necessidade.”
"está borbulhando dentro de mim"
Questionário
Sobre Você Neste Momento
1. Como você descreveria a si mesma nesta estação da vida? Que palavras ou imagens vêm à mente quando você pensa em como se vê agora?
Estou adorando esta fase de novamente redefinir o que quero levar pros próximos anos e o que quero deixar pra trás (digo ‘novamente’ porque senti algo parecido no começo do sétimo setênio tb, e agora estou no começo do oitavo). Cada vez me sinto mais segura pra escolher em que quero investir meu tempo - em termos de pessoas, lugares, atividades. E é justamente as atividades que entram em campo no nosso trabalho juntas.
Então me descrevo como uma mulher madura, que vai atrás do que quer, que sabe dizer não, que banca as suas escolhas. Que continua aberta a aprender, e a enfrentar novos desafios - mas desafios que são escolhidos a dedos: eu sei o que quero e posso enfrentar, e as batalhas que não quero nem sequer lutar.
Eu me vejo feliz e satisfeita com a vida - é assim que me sinto a maior parte do tempo, e isso não é de agora. De fato, eu escolho ser feliz, ainda que às vezes pra isso eu prefira não saber de tudo, e não aprofundar certas coisas, não refletir sobre tuuuudo o que a vida me coloca. Eu sei aquilo que dou conta de administrar, de lidar, de ter consciência - e acho que aprendo e reflito o suficiente pra fazer minha parte no mundo. O mundo anda difícil e complexo. Tem coisas que eu quero deixar no simples.
A imagem que vejo: eu sorrindo no sol. E a palavra: satisfação/contentment.
2. O que você tem de mais importante para contar? Seu olhar para a vida, para o mundo exterior.
Acho que é o fato de que a alegria e a satisfação estão de fato nas pequenas coisas do dia a dia. O impacto do avocado aberto quando está perfeitamente maduro dura mais do que aqueles poucos segundos de alegria.
O Seu Mundo Interior
3. Quando você pensa no seu mundo interior, que pensamentos, cores, texturas ou imagens surgem?
Pensamentos de gratidão. Eu me acho uma privilegiada, sortuda mesmo: olha a vida maravilhosa que tenho! E hoje tenho consciência que quanto mais eu treinar meu cerébro pra notar e valorizar as alegrias da vida, mais presente esse sentimento vai ser. Meu mundo interior está sempre focado no nosso poder - de todos nós - de cocriação. Eu entendo o poder das escolhas que fazemos, e como aquilo que está mais presente na nossa cabeça é o que vai nos guiar no caminho, pois em meio a tanta informação, o meu cerébro vai notar oportunidades que me levam àquilo que projeto e escolho pra mim.
Cada ação inspirada que tomo é um degrau que subo rumo à concretização das minhas escolhas - conscientes ou não!
4. Se você fosse descrever o seu mundo interior como uma paisagem, seria…
D. Um lugar que ainda não mapeei completamente.
Nunca tinha pensado no meu mundo interior sob esse aspecto, de imagem. Hoje eu me vejo na grama, deitada ou caminhando, durante o dia, sob o sol. Meu mundo interior é um mundo de pensamentos na sua maioria felizes, mas nem por isso superficiais. A profundidade da minha conexão com tudo à minha volta está sempre presente no meu mundo interior. E o quanto isso dá sentido à vida.
5. Existem símbolos, objetos ou lugares que você sente que estão profundamente conectados a quem você é?
O sol, o mar.
Eu gosto de plantas.
E música!
A Sessão em Si
6. Quando você pensa em props, objetos ou roupas para esta sessão…
Letra(s): D - Nada em mente.
D. Prefiro chegar de forma simples e ver o que emerge.
A Dulce
7. Existe uma versão de você que ainda não foi fotografada? Uma faceta, um estado, uma qualidade que você carrega mas que raramente deixa ser vista? Se sim, como você a descreveria?
Talvez uma versão mais séria, mais reflexiva - a Dulce que reflete, intui, escolhe e persegue (o que escolheu), mesmo com as dores das renúncias que cada escolha traz em si. (Porque eu queria mesmo é ter tudo!)
8. Se esta sessão pudesse ser uma experiência sensorial completa, que cheiro, que textura, que qualidade de luz ela teria? Não precisa fazer sentido. Pode ser poético, fragmentado, intuitivo.
A textura de maciez - amo!
Cheiro - eu ando muito encantada com os cheiros dos óleos que tenho usado (quinoa, aquela Vitamina C que tu trouxe pro amigo secreto - um cheiro de natureza que combina com o corpo humano).
A pergunta acima me levou prum lugar completamente diferente e inesperado pra mim. De repente estou me vendo num lugar privado, só nós duas, nada pra me constranger, uma luz baixa, que ilumina essa Dulce que nunca foi fotografada. A Dulce feliz, sorridente, no meio da música, dos amigos e da natureza já foi fotografada muitas vezes. Mas a Dulce reflexiva e profunda, que olha pra cima ou pra baixo (ou pra dentro!) pedindo guidance antes de olhar pra frente, que supera as dúvidas e termina fazendo suas escolhas, essa Dulce nunca foi fotografada, acho.
É a Dulce da dúvida, antes de chegar na certeza.
A Dulce da reflexão, antes da escolha.
A Dulce do medo, antes de aceitar o medo e ir com medo mesmo, certa da sua superação.
A Dulce que chora - um choro que pode ser de tanta coisa!
A Dulce inspirada, antes da ação!
10. Quando você imagina a imagem final, o retrato que vai para casa com você, o que você quer sentir quando olhar para ela daqui a dez anos?
Quero dizer pra mim mesma: eu gostei de deixar essa Dulce ser fotografada. Que mulher incrível! Que mulher inteira. Que momento legal que eu estava vivendo - que escolhas boas eu fiz (tb) desse ponto em diante.
Provocações
"Talvez todas as obras às quais ainda não conseguimos nos aproximar sejam aquelas que guardam nosso crescimento mais profundo."
-- Rainer Maria Rilke
"Quem olha para fora, sonha. Quem olha para dentro, desperta."
-- Carl Jung
"A imaginação não é um estado: é a própria existência humana."
-- Gaston Bachelard
"Escreva seu corpo. Seu corpo deve ser ouvido."
-- Hélène Cixous
"Escrever é procurar entender, é procurar reproduzir o irreproduzível, é sentir até o último fim o sentimento que permaneceria apenas vago e sufocador."
-- Clarice Lispector
"Eu nunca pinto sonhos ou pesadelos. Eu pinto a minha própria realidade."
-- Frida Kahlo
"Temos a arte para não morrer da realidade."
-- Friedrich Nietzsche
"A vida é ocupada em se perpetuar e em se superar. Se tudo que ela faz é se manter, então viver é apenas não morrer."
-- Simone de Beauvoir
"O que eu queria era fazer do silêncio uma escritura. Porque o silêncio também é uma forma de ser."
-- Manoel de Barros
"A criatividade é a natureza da alma selvagem. Quando privada de expressão, a alma doentia se torna raivosa, deprimida, ou letárgica."
-- Clarissa Pinkola Estés
Não sou nada.
Nunca serei nada.
Não posso querer ser nada.
À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.
-- Fernando Pessoa — Não sou nada
Vim de lá com a minha vida nas mãos.
Não era pouca coisa.
Era tudo que eu tinha
e aprendi que era suficiente.
Mas dentro do suficiente
havia uma porta.
E atrás da porta
havia um quarto que eu ainda não tinha entrado.
E no quarto
havia luz.
-- Adélia Prado — Bagagem
Eu não sei exatamente o que é uma oração.
Eu sei como prestar atenção, como cair na grama,
como me ajoelhar na grama,
como ser ociosa e abençoada, como vagar pelos campos
que é o que tenho feito o dia todo.
Diga-me, o que mais você planeja fazer
com a sua única e selvagem e preciosa vida?
-- Mary Oliver — The Summer Day
Dando forma para a descoberta
Obrigada pelo tanto que você compartilhou na nossa reunião de descoberta. A sua atração pelo seu mundo interior, a memória e a descontração marcaram a nossa conversa.
Quando falamos sobre o espaço em que você se sentiria mais livre, você escolheu
"Interior Intimate", uma luz que entra pela janela de uma casa cheia de história. Um ambiente que traz marcas de vida, com inteireza, com imperfeições.
Você já havia escolhido um tipo de luz pelo conforto que ela dá e sobre o espaço falou que quer algo que tenha memória, vida, um certo caos inerente.
A sua sessão já está tomando forma pelas palavras que você escolheu. Uma luz difusa, suave. Conforto, suavidade. No corpo, você escolheu a carta
"Profile and unaware": um olhar à distância, dentro do seu mundo. O íntimo, visto por um olhar de fora.
Me pareceu alguém colocando o caminho em que vai pisar diante de si, pedra por pedra. A cada passo, um olhar para dentro, um fino ajuste, uma elaboração e uma atualização sobre quem se é. Isso é sobre autenticidade, sobre se escutar.
Os sentimentos que você escolheu nas cartas foram o
Estranho, o singular que não é facilmente categorizado; o
Imóvel, sem pressa, tomando seu tempo e espaço, como evidência de saber apenas ser; o
Inacabado, em processo, com honestidade sobre o que se está tornando; e, por fim, a
Soberania, de posse de si mesma, com intenção, e uma declaração sobre quem se é.
A orientação para sua sessão é o arcano da Sacerdotisa, o que não podia estar mais alinhado ao seu momento. Essa carta do tarot fala sobre interiorização, sobre introspecção. A Sacerdotisa faz um mergulho em si mesma numa perspectiva de buscar o que faz sentido para si. É um lugar muito sutil, de silêncio e serenidade em que se pode conceber o novo. Um encontro com a sua natureza, a sua própria essência: o sagrado dentro de si.Uma carta que fala de memória, intuição e percepção ampliada. No plano espiritual ela fala sobre devoção, sobre entrega, sobre poderes místicos.
O objetivo maior dos retratos criativos é fazer o corpo viver tudo isso sobre o que falamos. Na nossa sessão a gente vai fazer o corpo traduzir e viver aquilo que a mente está elaborando. Vamos trazer tudo isso para a materialidade e registrar.
A gente vai na verdade libertar a ideia, que já está no corpo. O corpo sabe antes da mente nomear.